Sahara (Saara) – Uma animação Netflix (animação original)
A primeira impressão que a animação Sahara (também chamado de Saara, um original da Netflix) me deu foi a de algo muito infantil. Por este motivo, não fui imediatamente dando o play (precisei de uma indicação para tal).
Mas depois que a chance foi dada, comecei a achar interessante. Entenda a importância que o início de um filme ou série tem para nosso julgamento. Primeiro veio um risinho, por conta de uma trapalhada do escorpião Pitt. Depois, acabei sentindo a empatia pelo protagonista, Ajar (uma naja do deserto).
Apesar de ser bulinado entre seus semelhantes, ele teve a coragem de enfrentar o valentão da turma. Mesmo assim, acabou levando a pior e perdendo seu almoço (infelizmente, muitos jovens devem se ver em Ajar).
Notamos que ele é de fato um zé ninguém entre as outras najas, e os poucos que falam com eles é para incomodar. Com isso, veio o desejo dele: sair daquele lugar, e encontrar uma vida melhor além dos limites do deserto: o oasis.
Sahara e as diferenças raciais
Com a entrada de Eva (a mocinha por quem Ajar se apaixona) percebemos que tanto o grupo de cobras da areia (os “poeira”) quanto o grupo de cobras do oásis (as cobras verdes) eram muito diferentes entre si, e não apenas na aparência: elas tinham hábitos diferentes, habilidades e conhecimentos distintos, e cada uma das espécies tinham um conceito (quase) errôneo sobre o outro. Inicialmente, Eva fica assustada ao descobrir que Ajar é um “poeira” (cobra do deserto) E isso é muito semelhante com o que vemos entre os próprios humanos, com as diferenças raciais e geográficas, e os preconceitos com as diferentes culturas.
E neste ponto eu arrisco dizer que a animação Sahara poderia ter aproveitado para falar um pouco mais sobre como chegamos a conclusões erradas quando apenas vemos estereótipos, e de como deixamos de questionar a verdade quando apenas “ouvimos dizer” que tal coisa é assim (pois ali, cada uma das espécies contavam suas próprias versões daquilo que sabiam sobre a outra). Ambos disfarçados. Ajar com musgo, e Eva com lama
Clara referência
Em Sahara, as referências à cocaína são bem fortes, e fico apenas me perguntando se os pais das crianças que assistem não perceberam isso. Gary se mostra um viciado em cheirar pólen de flores, e sempre que faz isso fica “doidão”, brisando e falando mole Eu não condeno os produtores e roteiristas, pois como escritora considero interessante mostrar todos os tipos de personagens.
Acontece que o público aqui é infantil… É fato que não devemos evitar falar de drogas (ao contrário, é falando delas que os pequenos aprendem o mal que faz), mas ao vermos um personagem se sentir tão bem em usar, cria-se uma curiosidade do tipo: se ele gosta de usar, deve ser bom.
Houve um momento em que esse vício de Gary colocou os personagens em apuros, e mais adiante na animação ele sentiu-se tentado, mas conseguiu resistir. Mas a cena foi sutil demais, não deu para sentir a vitória do viciado superando sua abstinência.
Mostrar que “usar drogas te coloca em confusão” não é o bastante (afinal, a confusão é vista como aventura, e a aventura é divertida). Bom, foi de fato apenas uma observação que quis colocar aqui.
Inclusive, se puderem falar nos comentários (mais abaixo) o que pensaram disso, seria interessante.
Bom final, mas…
Este trecho pode conter spoilers. Quando os personagens voltaram para seus lares, existe até uma cena cômica do lagarto dizendo que não sabe o que acontecerá depois disso. Se eles unirão os dois lados, farão as pazes, etc. Mas será mesmo que não era necessário mostrar isso?
Está certo que muitos finais ficam melhores quando deixamos por conta da imaginação dos leitores/espectadores. Mas aqui ficou uma pequena lacuna: afinal, no início nos é mostrado uma situação específica de Ajar junto a sua espécie.
Quando um herói tem uma jornada que lhe dá tantos conhecimentos e experiências, o mais natural é que ele volte para casa com um elixir para lidar com o problema mostrado nas primeiras cenas. E é disso que senti falta.
Por mais clichê e previsível que essas cenas viessem a ficar, seria o triunfo final do protagonista. Ajar ganhou uma excelente experiência de vida ao derrotar o encantador de serpentes: não apenas ficou mais confiante como também amadureceu muito!
Aquela troca de pele não aconteceu à toa, é uma metáfora para essa evolução dele. E o afrontamento final com seus antigos opressores seria a cereja do bolo (conheça a Jornada do Herói e entenda o motivo).
Em meio a uma tempestade de areia, a troca de pele de Ajar acontece quase que acidentalmente Quando o encantador de cobras não é mais um problema, todos param para admirar a nova pele de Ajar O chefão da “gangue” que incomodou Ajar e Pitt no início da animação acabou não sendo retomado para um desafio final Os lacaios que se divertem às custas das desgraças alheias
Trailer e outras informações da animação Netflix Sahara
Sinopse 1: Se a garota de seus sonhos está em apuros, embarcar em uma aventura pelo deserto para salvá-la é só o início da jornada. Sinopse 2: Ao ver seu novo amor capturado, uma jovem serpente e seu amigo escorpião cruzam o deserto em uma perigosa missão de resgate. Ano de lançamento: 2017 Classificação etária: 10 anos; Duração: 1h 25min Gênero: animação, aventura Apesar de eu ter comentado aqui algumas coisas de meu ponto de vista, gosto também de saber sua opinião. Chegou a assistir a animação Sahara? Conte o que achou nos comentário ?
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