Cena de Metropolis (1927): por que esse filme silencioso ainda parece o futuro
Resenha de filme

Metropolis (1927): por que esse filme silencioso ainda parece o futuro

Metropolis
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Poucos filmes envelhecem como Metropolis. Lançado em 1927, dirigido por Fritz Lang e escrito em parceria com Thea von Harbou, o longa não só sobreviveu quase um século de mudanças tecnológicas — ele continua sendo a referência visual que toda nova distopia cinematográfica acaba citando, consciente ou não.

O que torna o filme tão atual

A premissa é simples e devastadoramente moderna: uma cidade dividida em duas camadas físicas e sociais — a elite que vive no alto, em jardins suspensos, e os operários que mantêm tudo funcionando nas profundezas, anônimos e descartáveis. Quando você troca “máquinas a vapor” por “algoritmos” e “operários” por “trabalhadores de aplicativo”, a fábula praticamente se reescreve sozinha.

A direção de arte do filme criou um vocabulário visual que ficção científica nunca abandonou. Os arranha-céus interligados por pontes aéreas, a iluminação geometricamente rígida, a Maschinenmensch (a “humano-máquina”) com sua silhueta dourada — tudo isso reverbera em Blade Runner, Star Wars, Matrix e em quase todo videogame cyberpunk dos últimos 30 anos.

A questão da restauração

A versão que circula como definitiva hoje é a restauração de 2010, feita depois que cópias perdidas foram encontradas em Buenos Aires em 2008. Recuperaram-se cerca de 25 minutos de cenas que tinham sido cortadas em distribuições internacionais. O resultado é o filme mais próximo do que Lang originalmente entregou — e a diferença narrativa é significativa: subtramas que pareciam apressadas ganham respiro, e a relação entre Freder e o trabalhador 11811 finalmente faz sentido.

Vale a pena assistir em 2026?

Sim, mas com a expectativa certa. Metropolis é um filme mudo, com cartões de texto e trilha orquestrada — não é entretenimento passivo. Exige atenção e paciência com o ritmo de outra época. Em troca, oferece duas horas e meia de imagens que você vai reconhecer em dezenas de filmes que assistiu sem saber de onde vieram.

É também uma boa porta de entrada para o cinema expressionista alemão, escola que influenciou tudo de noir americano dos anos 40 até Tim Burton.

Onde assistir hoje

Como já está em domínio público em muitas jurisdições, há cópias legais e gratuitas disponíveis no Internet Archive e no YouTube. A restauração de 2010 também aparece com legendas em português em alguns serviços de streaming especializado em clássicos.

Não é um filme pra colocar de fundo. É pra sentar, escurecer a sala e deixar a estética te engolir.