O que é Dorama, afinal? Explicações e curiosidades sobre o termo!


Não é de hoje que vejo as pessoas se questionando o que é dorama. Por causa de uma onda que tem tomado conta de muitos jovens (e adultos!) nos últimos anos, essa pergunta tem surgido (e nada de julgar mal alguma coisa só porque é “modinha”, hein ?). Seja em forma de seriado/novela, ou longa-metragem/live-action, essas produções orientais costumam encantar as pessoas que gostam de uma história contada de um jeito diferente. Principalmente se forem fãs de animes e mangás, pois muitos doramas são de fato baseado neles.

Mas, afinal, o que é Dorama?

Este termo que vem se popularizando veio, como vocês podem imaginar, do Japão. E para entender o que é dorama é bom explicar antes que, nas terras do sol nascente, todo tipo de produção para tevê são chamados de “television drama” que, na pronúncia deles, soa “terebí dorama”. Em katakana se escreve テレビドラマ, ou apenas ドラマ (do-râ-ma). A versão coreana da palavra “dorama” é 드라마. O dorama pode ser desde uma história de comédia romântica, até um mistério, suspense policial, ação, fantasia… Enfim. Por lá, todas essas produções são chamadas de “dorama”. Não por ser dramático (triste), mas sim por ser a dramatização de algo, ou seja, uma narrativa colocada em ação. Aqui no ocidente, é muito comum que algumas pessoas considerem apenas as comédias românticas orientais como “dorama”. Entretanto, todas as séries e filmes para TV feitos no oriente (Japão, Coréia do Sul, China, Tailândia) podem ser consideradas como tal. A exceção são aquelas produções com robôs e monstros gigantes e efeitos especiais demonstrando super poderes. Diferente do dorama, esse estilo é chamado de “Tokusatsu” (特撮, literalmente “efeitos especiais”), e não se encaixa muito bem na definição de doramas. Explico. Dorama tem um foco maior no desenvolvimento dos personagens e das situações (sentimentais e psicológicas) que os envolvem. Já o Tokusatsu tem foco maior no plot, na ação em si, nem sempre com atenção no desenvolvimento e evolução dos personagens (e aqui estou falando de evolução de caráter, não de aumento de poderes). Por exemplo: Super Sentai, Jiraya, Ultraman não são doramas. São considerados “Tokusatsu” exatamente por serem séries com foco maior no plot e nos efeitos especiais. Daria quase para dizer que é como um equivalente ao “shonen”, nos animes/mangás. Com isso, creio que já ficou claro o que é dorama. Eles podem ser japoneses, coreanos, chineses, e ultimamente algumas produções tailandesas também têm chamado a atenção do ocidente.

 

Sexismo e preconceito nos doramas?

Os doramas com temática romântica, aqueles mais “água com açúcar”, algumas vezes demonstram um pouco desse sexismo, sim (vivemos numa sociedade rotuladora e que adora colocar pessoas em gavetas etiquetadas). Acontece que essas “regras de conduta” no que se refere aos gêneros masculino e feminino são mais fortes em alguns países do oriente (bem mais que no Brasil, se é que isso é possível). Lá, essa coisa de “isso é para homens” e “isso é para mulheres” tem coroa de platina nas gerações mais antigas, a ponto de ser estranho ver um rapaz em uma loja de coisas mais “fofinhas” e com muito cor-de-rosa, ou de ver uma garota entrando numa loja de esportes “viris”, por exemplo. Complicado, né? Mas isso tem bastante a ver com a cultura patriarcal do oriente, e percebemos que cada vez mais os doramas de comédia romântica estão agindo como conscientizadores de que tanto homens quanto mulheres têm direitos iguais. Personagens femininas com personalidades mais agressivas surgem com cada vez mais frequência, e personagens masculinos também passaram, cada vez mais, a demonstrar seus sentimentos sem sentir vergonha disso. Ou melhor: eles (os personagens) até têm certa relutância para demonstrações de afeto, porém vemos como isso os machuca. Os roteiristas fazem questão de demonstrar como esse cadeado nos corações dos personagens afetam não somente a eles, como também todos os que estão à sua volta - e aí é que está boa parte do ensinamento. Não é por acaso que muitos doramas cortam nossos corações impiedosamente: é uma forma de mostrar o que não fazer. Como não agir, para não sofrermos como os personagens. Mas nós, seres humanos, somos todos cabeças-dura, né? A gente teima em fazer bobagem, e sofremos mesmo assim…

As caretas exageradas nos doramas

Quem sabe o que é um dorama, é porque certamente já viu ao menos uma produção de comédia com aquelas caretas exageradas. Sim, estou falando daquelas cenas em que os atores parecem que desejam personificar os animes, com olhos exageradamente arregalados, bocas escancaradas, e sustos quase teatrais. Uma pessoa desavisada que veja isso pela primeira vez pode estranhar - afinal, não é de fato comum, concorda? Mas para quem já está acostumado, ou seja, para os dorameiros de plantão, esses exageros já faz parte do pacote. É claro que os doramas mais sérios não usam desse artifício. mas se você assistir a qualquer produção de comédia, lá estarão elas: as caretas. Trata-se mesmo de algo proposital, típico do que eles consideram um elemento crucial para provocar o riso. Esses exageros criam situações inusitadas que fazem com que a gente não consiga segurar o riso (nem que seja pela vergonha alheia). Quem ama doramas e os vê com frequência vai acabar vendo, hora ou outra, um tombo esculachado, um cochicho quase gritado, e situações de “disfarce” que não enganam a ninguém (tipo Jesse e James, que só conseguem enganar o Ash mesmo…). Imagine! Nós não somos da Equipe Rocket… Somos apenas jornalistas e precisamos do seu Pikachu para uma entrevista (piscadinha marota)

E esse estilo forçado de humor, hein?

Assisti há uns meses um dorama (35-sai no Koukousei) em que os coadjuvantes faziam cenas tão forçadas e estapafúrdias que, em certos momentos, chegava a incomodar. Coisas que tiram em demasia a naturalidade das situações (tipo cochichar tão alto a ponto de se ouvir do outro lado do quarteirão, ou ficar entreouvindo conversas de uma forma nada discreta) acabam ficando mais “aceitáveis” depois que se compreende o que é dorama. Mas nem sempre essas situações forçadas são inconvenientes. Os orientais têm essa característica do exagero como algo comum da comédia. É como um teatro: precisa ser uma reação exagerada para até quem está lá no fundo das cadeiras enxergar e compreender o que está havendo. E, claro, a cultura dos animes também ajuda (lá as reações são igualmente exageradas, para efeito cômico). No fim das contas, bastam uns dois ou três episódios, e basta se apegar aos personagens e se amarrar à história (o que é bem fácil), que isso vai ficando no plano de fundo… Até que, quando você menos percebe, já incorporou e não vê mais os exageros como algo estranho. Depois disso, os próximos doramas fluem mais naturalmente. E mais, até: passamos a esperar por isso, porque é um tipo de humor leve e sadio sem as apelações de nudez e besteirol que são tão comuns em algumas produções ocidentais. Creio, inclusive, que podemos dizer que é um humor feito pensando em crianças, visto que os doramas de comédia romântica têm, em sua maioria, uma classificação etária por volta de 12 anos. É para se assistir com toda a família, mesmo. Para ficarmos com os olhinhos assim: ? no final (porque, convenhamos… doramas românticos são pra lá de fofos!).

Não está ERRADO escrever DORAMA? Não seria “DRAMA”?

Houve uma época, em minha adolescência dos anos 90, em que pensei que a palavra estivesse de fato escrito de forma errada. Porém, como já foi dito há uns parágrafos mais acima, a palavra DORAMA deriva da forma como os próprios japoneses pronunciam a palavra “drama”. Então, neste ponto de vista, está correto, sim. O fandom de produções orientais têm esse prazer irresistível (e compreensível) de querer usar as palavras da forma como eles as pronunciam, pois assim sentem-se mais próximos dos orientais (é algo como preferir pronunciar “Ôru-Máito” em vez de All Might). É por isso que usar a palavra dorama em vez de “drama” não está errado. Ela é como tantas outras palavras da língua portuguesa, que derivaram de outros estrangeirismos, e hoje figuram orgulhosamente no dicionário. A linguagem é viva e se transforma sempre.

Quem é o público-alvo dos doramas?

De modo geral, todos são. Afinal, existem diversos tipos de doramas disponíveis, desde os românticos até os mais densos, com suspenses e assassinatos para serem desvendados. Porém, se estivermos falando dos doramas de comédia romântica (que são os mais populares no Brasil), podemos considerar que o público-alvo são praticamente todos os que amam animes, ou k-pop e j-rock (pop coreano e rock japonês). Parece arriscado dizer que isso é uma “regra”… Mas o fato é que é um padrão observável (claro que existem exceções). E por que esse padrão? Acontece que os doramas de comédia romântica têm enredos que se assemelham muito com os usados em animes e mangás “shoujo” (alguns, inclusive, são baseados em mangás). São histórias cativantes, com personagens problemáticos, e que se identificam bastante com esse público cheio de questões pendentes sobre a vida, o universo e tudo mais. Em outras palavras: pessoas que ainda estão aprendendo sobre relacionamentos e amadurecendo (acho que posso enquadrar toda a espécie humana aqui, não importa a idade… certo?). E coloquei como “público-alvo” as pessoas que gostam de k-pop/j-rock porque nos doramas é comum ter homens coreanos bonitos, e isso certamente atrai corações apaixonados. Não raro vejo pessoas dizendo que só começaram a assistir algum dorama porque o “mocinho” era um gato. ? O padrão oriental de beleza (que valoriza traços delicados) está cada vez mais em voga. E os diretores dos doramas, que percebem isso e não são bobos, geralmente usam atrizes e atores com essa aparência mais andrógina, homens e mulheres do tipo capas de revista, e que têm alta probabilidade de conquistar quem está assistindo. Aproveite para conhecer também livros com histórias de dorama:

 

O que é j-dorama, k-dorama e c-dorama? Seriam subgêneros?

Essas letrinhas que aparecem antes da palavra “dorama” são apenas para designar a nacionalidade: J para Japão (??), C para China (??), T para Tailândia (??) e K para Coréia do Sul (??). Não é algo que precise ser decorado… basta saber o que é dorama, que é o bastante. Da mesma forma, se você encontrar por aí os termos k-pop, j-pop, j-rock e coisas assim, pode já concluir que se trata de pop ou rock desses mesmos países (e o k-pop tem feito tanto sucesso quanto os doramas aqui no Brasil). É a cultura oriental invadindo o ocidente ❤… E eu sou daquelas pessoas que dizem “manda mais porque está pouco!”.

E a Netflix está mandando mais!

Os doramas originais Netflix estão aumentando de número a cada mês. Eles, que não dormem no ponto, perceberam essa avidez do público e estão adquirindo produções orientais bem interessantes (tanto em formato seriado quanto longa-metragens). Vou fazer abaixo uma lista de vários doramas originais Netflix, e se você souber de um que não está na lista, avise nos comentários (não é fácil encontrar todos os doramas originais Netflix no catálogo, rs). Os que tiverem link, é porque já receberam resenha deste blog.

Gostou da lista? Agora que já está bem explicado sobre o que é um dorama, conte nos comentários como foi que você ficou conhecendo esse gênero tão peculiar, e quais são seus estilos de doramas favoritos. ❤ Aproveite apara conhecer meus livros Yaoi/Boys Love (homoafetivo e homoerótico). Algumas histórias são de leitura gratuita, então… é só entrar no link ? K I S S E S ~ K I S S E S Personagens de um de meus livros em formato “chiibi” (conheça-os aqui)