Black Mirror: Bandersnatch - Resenha do episódio especial de múltipla escolha


Fazer uma crítica sobre o episódio especial Black Mirror: Bandersnatch é praticamente impossível. A Netflix, aqui, conseguiu o que parecia altamente improvável: deixar as pessoas que têm a tarefa de escrever sobre suas produções sem muitas palavras para definir o que assistiram.

Isso porque, com a experiência interativa que propõe até cinco finais diferentes para a mesma história, cada pessoa pode ter uma versão diferente para comentar. E isso praticamente inviabiliza a crítica.

E pela primeira vez, é possível afirmar que isso é ótimo (assista aqui). Caso esteja procurando sobre os finais de Black Mirror:Bandersnatch, recomendamos o artigo de teorias.

Foi uma jogada de marketing genial. De repente, a Netflix disponibiliza o título de um “evento Black Mirror” na plataforma sem qualquer informação. Elas só foram disponibilizadas 48 horas antes do lançamento oficial, deixando os aficionados nessa produção - ainda capitaneada por Charlie Brooker - com os cabelos em pé.

Quando ela finalmente foi revelada, temos esse espetáculo interativo e provocador, que mantém a aura dos episódios das temporadas passadas, mas propõe algo totalmente novo, e que tem o poder de revolucionar a forma como assistimos séries na plataforma de agora em diante.

Uma viagem lisérgica

Black Mirror: Bandersnatch fala sobre um programador que, durante os anos 80, precisa adaptar um famoso livro para se tornar um jogo de videogame. Acontece que, mesmo sendo fã da obra (que é repleta de mistérios sobre sua própria narrativa e sobre seu autor, que no fim das contas enlouqueceu e matou a esposa) ele não consegue encontrar uma maneira de transpor isso para os games.

Para dar conta disso, ele tem a ajuda de um outro programador, tão genial e inventivo quanto ele, que o apresenta ao LSD para “expandir sua mente”. Daí em diante, temos uma narrativa que questiona a realidade, tanto a do protagonista da história quanto a nossa própria, e brinca com nossas percepções usando e abusando da metalinguagem.

Sem dúvida, esse projeto é absolutamente ambicioso na forma e na execução. O diretor David Slade consegue manter o ritmo narrativo da história principal que, como toda produção de Black Mirror, tem um pé no surrealismo.

O mistério vai ficando cada vez mais agudo, até que chegamos em vários pontos cruciais onde a decisão acaba em nossas mãos. O produtor e idealizador Charlie Brooker alcança aqui uma forma de arte até então inédita na Netflix - e muito provavelmente, em qualquer meio audiovisual.

A experiência é fantástica e empolgante. Entretanto, a história principal tem alguns problemas narrativos que impedem que esse equilíbrio entre a história e a interatividade dela sejam perfeitos.

É claro: por ser algo totalmente novo e nunca testado em uma série de teor adulto (a Netflix testou a interatividade em séries infantis neste ano), há ajustes a se fazer para integrar a história a esse novo modelo de expressá-la em imagens. Portanto, é tudo perdoável e não compensa nem falar sobre elas neste texto.

A melhor coisa a fazer é aproveitar a viagem lisérgica que Black Mirror: Bandersnatch oferece.

Brincando com o espectador

Não que essas brincadeiras com o espectador sejam coisas novas. Aqui mesmo no Brasil tivemos a novela “A Próxima Vítima”, de 1995, que tinha um mistério não resolvido sobre um assassino em série e suas motivações, que só foi revelado no último capítulo e que teve vários finais diferentes gravados.

Houve especulação pela imprensa e pelo público em geral, que não fazia ideia de como ela poderia terminar. No fim das contas, foi exibido aquele que mais tinha chance de chocar o público.

Desde então, em suas reprises, usam finais diferentes e inéditos, dando a obra um frescor novo apesar de ter mais de 20 anos. Black Mirror: Bandersnatch pode ser considerado uma evolução desse método. Agora, nós mesmos podemos definir como a história vai acabar, diretamente, sem precisar esperar uma reprise para descobrir os novos desdobramentos.

É evidente que essa experiência terá consequências futuras, provavelmente será melhor trabalhada e inspirará novas obras. Entretanto, sempre lembraremos que foi aqui que começou. O enredo bem criado se uniu a uma nova tecnologia para deixar as escolhas em nossas mãos.

Finalmente, podemos dizer que o futuro das produções televisivas chegou. E, caso aquele símbolo tenha sido familiar para você, saiba que já o viu antes na série: análise do episódio Urso Branco, de Black Mirror. Clique no símbolo acima para ver sobre o episódio Urso Branco de Black Mirror Publicamos também um post com interpretações e um “mapa de viagem” (fluxograma) para os diversos finais de Black Mirror: Bandersnatch.

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Trailer e informações do episódio especial Black Mirror: Bandersnatch Netflix

https://youtu.be/gY6BrU-W0P4 Sinopse: Em 1984, um jovem programador começa a adaptar um romance fantástico para videogame e põe em questão a própria realidade. Uma história alucinante com múltiplos finais. Duração: 1h 30min; Classificação etária: 16 anos; Ano de lançamento: 2018; Gênero: Suspense, Fantasia, Surreal, Drama;

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