A Noite nos Persegue Netflix: crítica do filme indonésio
O longa indonésio Netflix A Noite nos Persegue, que estreia agora, é um exemplar clássico do “filme de redenção” (assista aqui). Existem diversos por aí que usam a mesma fórmula: alguém com um passado violento precisa se redimir de seus atos através do salvamento de uma criança ou pessoa inocente.
Para isso, precisa enfrentar seus demônios pessoais e também as organizações para o qual deve boa parte de sua vida, e para quem praticou os atos mais detestáveis. Só para citar dois exemplos, “O Profissional”, de Luc Besson e “Logan”, de James Mangold, usam esse mesmo arquétipo narrativo para expor o drama de seus personagens principais.
Isso não significa que sejam filmes ruins. O mesmo pode se aplicar a essa produção, mais uma das originais da Netflix a estrear neste mês. A Noite nos Persegue tem uma estética bonita, é muito bem coreografado e tem uma fotografia excelente.
Entretanto, o que chama a atenção de verdade é a quantidade de sangue derramado durante toda a projeção: são litros e litros, que dá até para desconfiar que boa parte do orçamento foi gasta com o sangue falso que jorra dos pobres vítimas de uma vingança desenfreada.
Estranhamento e encantamento
A jornada de Ito, personagem principal do filme, é acompanhada com interesse pela câmera do diretor Timo Tjahjanto, que já tem alguma experiência com esse tipo de trabalho. Desde o começo somos levados a mergulhar na história do assassino que tenta, através da salvação de uma pequena garota, lavar seu passado de seus próprios pecados.
Tjahjanto trabalha os ângulos e os enquadramentos de forma a deixar o espectador incomodado, principalmente com o uso das luzes coloridas do neón que reflete nas janelas. A sensação é de estranhamento.
Contudo, conforme o longa avança em sua narrativa, a situação vai se “endireitando” e a câmera de Tjahjanto centraliza em sua ação, sobretudo quando a vingança de Ito tem início. Aqui, o destaque está nas cenas de luta, muito bem coreografadas e filmadas.
A urgência que elas transmitem, além do excesso de realismo (com o já citado sangue escorrendo o tempo todo), praticamente hipnotizam quem assiste. A mesma competência é vista nas sequências de perseguição pelas ruas, que são editadas de forma convincente e competente.
Além disso, é preciso destacar as atuações dos dois personagens principais, sobretudo de Joe Taslim, que interpreta o assassino Ito. É um ator bastante expressivo e que convence em sua caminhada rumo a redenção, se mostrando um homem frio e sem sentimentos quando o conhecemos em suas primeiras cenas, até se mostrar humano e inclusive sensível conforme o tempo passa.
É um bom trabalho, que dá uma credibilidade maior ao longa - sem o qual, teríamos sérios problemas para acreditar na história que estamos assistindo.
Encontrando a paz interior
Por fim, A Noite nos Persegue remete aos grandes filmes que usam o arquétipo da Jornada do Herói. Nós conhecemos Ito quando ele está em um ponto baixo de sua vida, e vamos junto com ele até encontrar a tão sonhada paz interior.
Nesse sentido, a garotinha que ele salva é apenas uma “desculpa” do roteiro para fazê-lo andar até o ponto de virada. Talvez os diálogos sejam excessivamente piegas, e há um ou outro exagero estilístico.
Entretanto, A Noite nos Persegue consegue superar esses pequenos defeitos e se torna uma das boas adições ao catálogo da Netflix, além de ser uma grata surpresa vinda das terras da Indonésia. Recomendamos também as séries Por Dentro da Mente do Criminoso e Sou um Assassino.
E um filme que pode lhe interessar é Bird Box e The Silence.
Trailer e intermações do filme indonésio Netflix A Noite nos Persegue
Sinopse 1: Ele tem a crueldade, a força e a inteligência para ser o melhor dos assassinos. O problema é que ele também tem coração. Sinopse 2: Após poupar a vida de uma garota durante um massacre, um assassino de elite se torna um alvo do ataque de criminosos. Idioma: indonésio, com legendas em português; Ano de lançamento: 2018; Gênero: Ação, Suspense;
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