22 de Julho filme Netflix: crítica da produção (baseada em Fatos)


Os eventos mostrados no filme 22 de Julho são assustadoramente reais (assista aqui). Nesta data, em 2011, um terrorista invadiu um acampamento na ilha de Utøya, na Noruega, e matou mais de 70 jovens.

Ao mesmo tempo, na capital Oslo, uma bomba explodiu na área de edifícios do governo. Era obviamente um ataque orquestrado, e que vitimou muitas pessoas. As que sobreviveram acabaram com sequelas que certamente carregarão pelo resto da vida.

O que este filme, original da Netflix, faz com essa história e dramatizá-la para que possamos entender a extensão dos danos, físicos e psicológicos, desse atentado que marcou a história do país nórdico. E para contar esse triste evento, não há ninguém melhor que Paul Greengrass.

O roteirista e diretor, conhecido pelos seus filmes movimentados e sempre muito tensos, consegue aqui o que é, provavelmente, um de seus melhores trabalhos. Acompanhamos a angústia do momento dos ataques e as consequências dele para a vida de quem sobreviveu, tendo de encarar ainda o julgamento do homem responsável pela tragédia no acampamento. Tudo isso com uma direção magistral, que transforma 22 de Julho num filme imperdível.

O calor do momento

O acampamento organizado pelo Arbeiderpartiet (Partido Trabalhista Norueguês) tinha cerca de 600 jovens, e foi atacado por um nacionalista de extrema-direita no fatídico dia 22 de julho. No filme, acompanhamos o sofrimento de um dos sobreviventes, que tenta retomar sua vida após quase morrer no atentado.

Ao mesmo tempo, também são mostradas algumas famílias dos mortos e também a reação da sociedade e do governo norueguês, que conseguiu prender o terrorista e o levou a julgamento. Paul Greengrass, neste filme, demonstra mais uma vez o seu enorme talento para criar ambientes de tensão.

O ataque ao acampamento é uma aula de suspense, com sua câmera sempre nervosa (uma marca do diretor) e edição ágil, mas que em momento algum se perde entre as cenas. O diretor tem um domínio incomparável da técnica cinematográfica, que já lhe rendeu indicação ao Oscar (com “Vôo United 93”, drama sobre o avião que não atingiu a Casa Branca no dia 11 de setembro de 2001) e também aclamação crítica com “Capitão Philips” e a trilogia Bourne.

Portanto, ele é mais do que credenciado para capitanear essa produção. Ele capta o calor do momento, intercalando as cenas no acampamento com a tensão na sede do governo norueguês por conta do atentado à bomba sofrido quase simultaneamente em suas instalações.

Mas a verdadeira joia desse longa está nas consequências ao atentado. O sobrevivente, um jovem de vinte e poucos anos, precisa lidar com a morte de amigos e conhecidos, e também com a raiva pela ação do assassino.

Além disso, a necessidade de ter que encará-lo novamente no julgamento faz com que esses sentimentos transbordem a ponto de afetar seriamente sua vida.

Um alerta contra a intolerância

O filme 22 de Julho também levanta um alerta contra a intolerância política. Vivemos, atualmente, em uma época muito polarizada. Inclusive aqui no Brasil, neste momento de eleições onde a extrema-direita tem se sagrado vencedora em muitos estados.

E a extrema esquerda tem se mostrado fascista em alguns atos (atentado ao Bolsonaro), pelo seu medo de perder. O filme serve como um aviso do que pessoas extremistas são capazes para atingir os seus objetivos.

O atentado na Noruega foi considerado como político, motivado por um lunático direitista. Mas poderia ter acontecido com esquerdista também, pois o fascismo está alojado nas PESSOAS.

Os lados políticos, religiões, futebol, só são motivos potenciais para aflorar o pior do ser humano em questão de fanatismo. O filme, portanto, não poderia ter sido lançado no catálogo da Netflix em melhor hora.

É preciso tomar cuidado com todo tipo de extremista. Eles podem estar em qualquer lugar, como é demonstrado com muito talento e competência neste filme. E as consequências de suas ações irracionais podem levar dor e sofrimento para muitas famílias, e atingir de forma definitiva a vida de pessoas inocentes.

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Trailer e informações do filme Netflix 22 de Julho

https://www.youtube.com/watch?v=OegJjtpiU-M Sinopse 1: Famílias destruídas. A nação chocada. Uma história de luto, força e resistência frente ao ódio.

Baseado em fatos reais. Sinopse 2: Após os terríveis atentados na Noruega, um jovem sobrevivente, famílias em luto e a população se unem na busca por justiça e superação. Idioma: dublado (com opção de áudio original em inglês e legendas em português); Duração: 2h 24min; Classificação etária: 16 anos; Ano de lançamento: 2018; Gênero: Drama, Biográfico;

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